O abatimento do piso na linha ferroviária junto ao Cacém provocou ontem, a meio da tarde, constrangimentos na ligação Lisboa-Sintra. As causas estiveram, segundo a Refer, na dilatação dos carris, consequência das altas temperaturas que se fizeram sentir. O incidente aconteceu a cerca de cem metros da estação do Cacém e obrigou mesmo ao impedimento da circulação de comboios numa das vias, entre o Monte Abraão e o Cacém, no período entre as 16h30 e as 18h20. Este condicionamento afectou o regresso a casa de alguns milhares de utilizadores daquela via, o que, para a Refer, além de ser uma situação invulgar, gerou "atrasos significativos" nas composições. Segundo o Correio da Manhã apurou, foi o maquinista de uma das composições quem alertou para a anomalia. O comboio passou no local e foi obrigado a parar de emergência, não se registando quaisquer feridos.
Calor provocou dilatação dos carris
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O País viveu ontem o pior dia do ano no mapa dos incêndios, com mais de 300 fogos. De norte a sul, milhares de bombeiros não tiveram mãos a medir para tentar salvar as habitações em perigo e a floresta portuguesa. Ontem à noite, 17 incêndios, que mobilizavam perto de 700 bombeiros, ainda estavam por controlar nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu e Setúbal. Por:alexandre Panda/Ana Sofia Coelho/F.P. O Norte foi a zona mais fustigada, com as populações a viverem momentos de pânico com o aproximar das chamas às casas. Em Pessegueiro do Vale, Arrifana, Stª Maria da Feira, cinco idosos, alguns acamados, tiveram de ser retirados das habitações devido à ameaça do fogo. Na localidade de fontão, em Albergaria-a-Velha, uma bombeira, de 29 anos, da corporação de Vagos, sofreu uma intoxicação quando combatia um incêndio e teve de ser transportada para o Hospital Infante Dom Pedro, em Aveiro. Na escarpa do Porto, os moradores da freguesia da Sé, onde deflagrou um incêndio que ameaçou diversas habitações, viveram ontem à tarde momentos de grande tensão, quando viram as labaredas a poucos metros de casa. As chamas chegaram a consumir uma dezena de casas devolutas e silvado da escarpa. 'Nunca tive tanto medo na minha vida. Pensei que ia perder a minha casa e tudo o que tinha lá dentro. As chamas ainda atingiram uma parede', afirmou ao Correio da Manhã Rosária Jesus, moradora de uma das casas que estiveram em risco. 'PARECIA UM INFERNO E ATÉ O AR ESTAVA IRRESPIRÁVEL' Nas zonas de Rebordelo, Parada, Canedo, Vale, Pessegueiro do Vale e Serralva, em Santa Maria da Feira, os bombeiros combateram, todo o dia, um incêndio que atingiu grandes proporções e que só não consumiu habitações graças aos esforços incansáveis de 12 corporações de bombeiros, apoiados com Canadairs e helicópteros. Ontem à noite, o incêndio ainda estava por controlar e mais de 80 bombeiros permaneciam no local. 'Em 15 minutos as chamas rodearam as casas. Parecia um inferno e o ar estava irrespirável', disse ao CM Paula Almeida, moradora em Rebordelo, localidade que ficou isolada porque a ponte que dá acesso à aldeia estava a ser ameaçada pelas chamas. Cerca de dez pessoas ficaram retidas em casa. INCÊNDIOS EM SIMULTÂNEO CERCAM CIDADE DE VISEU A fúria das chamas não deu descanso aos bombeiros do distrito de Viseu, que ontem à tarde tiveram de combater, pelo menos, seis incêndios de grande dimensão, quase em simultâneo. Um dos mais graves deflagrou às 14h33, em Vila Chã de Sá (Viseu) e alastrou ao concelho de Tondela, ameaçando a povoação de Parada de Gonta e provocando ferimentos em dois bombeiros. A proximidade do fogo deixou os moradores em pânico e pelo menos um precisou de ser transportado ao hospital para receber assistência médica. Ao início da noite, o incêndio lavrava descontrolado, apesar dos 176 bombeiros e 50 veículos mobilizados para o teatro de operações. As previsões mais optimistas apontavam para que as chamas ficassem dominadas de madrugada. O dia de ontem foi um dos mais complicados do ano para o distrito de Viseu, desde que começou a época de fogos florestais. Ao redor da cidade, num raio de 10 quilómetros, chegaram a estar activos seis grandes incêndios, ao mesmo tempo. Um deles, consumiu uma vasta área de pinhal na Serra do Crasto, freguesia de Orgens, e obrigou ao corte da circulação rodoviária na A25, nos dois sentidos, entre o nó de acesso à A24 e o nó de Pascoal. Na região Centro, a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) registou ainda dois outros incêndios que exigiram maior concentração de meios. Foi o caso de um fogo em Brejoeira, concelho de Coruche, onde os bombeiros precisaram de atenção especial para proteger das chamas algumas casas da localidade de Carapuções. Na Lousã, distrito de Coimbra, um incêndio em mato, foi combatido por 53 homens. ALDEIA TURÍSTICA DE MONTALVO EVACUADA AO INÍCIO DA NOITE A GNR procedeu ontem à noite à evacuação da aldeia turística do Montalvo, em Alcácer do Sal, devido à proximidade de um incêndio com uma frente activa de cinco quilómetros que durante o dia já tinha destruído uma vasta zona florestal. Segundo informação divulgada pelo Centro Distrital de Operações de Socorro de Setúbal, os meios no local eram ao início da noite de 34 corporações dos distritos de Setúbal, Évora e Beja, com um total de 206 homens, apoiados por 56 viaturas. Foi mesmo necessário recorrer a um reforço de Lisboa. O incêndio deflagrou cerca das 13h30 e o combate às chamas teve o apoio de dois helicópteros pesados da Protecção Civil. O calor intenso que se fez sentir ontem foi a principal dificuldade dos bombeiros.
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Risco de fogo põe País dois dias em alerta
Os incêndios voltaram a fustigar o País durante todo o dia de ontem. Centenas de bombeiros combateram as chamas, que incidiram sobretudo na região Norte, em especial no distrito de Viana do Castelo, onde ao início da noite sete fogos ainda se encontravam activos. Nos próximos dois dias vão estar reunidas todas as condições naturais para um grande aumento do número de incêndios, assegura o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. Por:Helder Almeida/ Ana Isabel Fonseca "O facto de a temperatura estar acima dos 30 graus, a humidade abaixo dos 30 por cento e o vento com uma velocidade superior a 30 km/hora são uma mistura explosiva", avisa Duarte Caldeira. Em Viana do Castelo, os bombeiros não tiveram mãos a medir. Esturranha, Castelo e Laranjeira foram as três localidades que as chamas invadiram com mais força. Na primeira vila, o fogo chegou mesmo a estar muito próximo da auto-estrada. "Temos centenas de bombeiros no terreno que vão continuar a combater as chamas durante a noite. Estamos a fazer de tudo para controlar os incêndios. A nossa maior preocupação é evitar que cheguem perto de zonas habitacionais", explicou ao CM António Antunes, comandante das Operação de Socorro de Viana do Castelo. Várias corporações de bombeiros do Porto e de Braga foram chamadas para combater os fogos que lavravam no Alto Minho. "Todos os anos é a mesma coisa, esta zona tem muita vegetação e o acesso é muito difícil", desabafou ao CM um bombeiro. Para terça-feira já está prevista uma descida de temperatura em todo o País e mesmo aguaceiros em algumas zonas. Esta oscilação de condições meteorológicas tem sido favorável. "Este ano, tal como nos últimos três, temos tido temperaturas mais baixas e mais humidade de noite, que ajuda a temperar a vegetação", explica Duarte Caldeira. Para além dos factores meteorológicos, há ainda que contar com "uma intervenção dos bombeiros mais eficaz, proporcionada por mais meios e homens".
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Filmava abusos da filha
O início da relação da mãe com um novo namorado transformou a vida de Maria, nome fictício, num verdadeiro pesadelo. Durante meses a fio, a criança foi obrigada a participar nos jogos sexuais do casal e a ter relações com o padrasto enquanto a mãe assistia. Noutras ocasiões, quando o companheiro se ausentava em trabalho para a Alemanha, a mulher usava vibradores para violar a filha, filmava e enviava os vídeos para o homem ver.
O caso que foi descoberto em Abril do ano passado vai ser julgado no Tribunal de Espinho. A mãe e o padrasto, de 28 e 43 anos, estão em prisão preventiva. Na acusação deduzida pelo Ministério Público, o casal está acusado do crime de violação.
Os abusos começaram logo depois de a mulher conhecer o novo companheiro. Em pouco tempo, a mãe de Maria aceitou que o homem fosse morar com ela. Daí até os abusos começarem foi uma questão de dias. Inicialmente o padrasto abusou da criança sem a presença da companheira, depois aliciou-a a participar e a assistir às violações. Com o avançar da relação, a mãe começou também a abusar da filha. Quando o companheiro se ausentava para o estrangeiro, ela própria violava a menina com vibradores e filmava-a. Ao regressar a casa, o padrasto sujeitava a criança às práticas sexuais a que tinha assistido.
Os exames realizados à menor deixaram os elementos da Judiciária estupefactos face à brutalidade dos actos sexuais a que a menina foi sujeita.
PORMENORES
IRMÃO MAIS VELHO
Maria tem um irmão mais velho que vive na mesma casa onde os abusos aconteceram. O rapaz nunca se apercebeu do pesadelo em que a criança vivia. A menor nunca contou nada a ninguém.
INSTITUIÇÃO
Após a mãe ser detida, a menina e o irmão foram acolhidos numa instituição onde continuam a viver. As duas crianças estão a receber acompanhamento psicológico desde essa altura.
VIZINHOS
Os vizinhos do casal ficaram em choque quando souberam o que tinha acontecido. O homem trabalhava como director comercial e a mulher estava em casa a cuidar dos filhos. A família não tinha dificuldades financeiras.
DENÚNCIA FEITA PELA ESCOLA
Maria nunca contou a ninguém as práticas sexuais a que era sujeita. O caso acabou por ser descoberto pela escola que notou que a menina tinha um comportamento estranho e alertou a Comissão de Protecção de Menores.
A mãe e o padrasto foram imediatamente detidos pela PJ do Porto e presentes ao Tribunal de Espinho, ficando em prisão preventiva.
FAZIAM SEXO COM OS FILHOS
O caso dos pais de Vila do Conde, que violavam os três filhos de nove, 11 e 13 anos, tem bastantes semelhanças com o de Espinho que agora chega a julgamento.
Durante anos a fio, os três menores foram forçados a ter sexo em grupo e em outras ocasiões eram forçados a manter relações sexuais entre eles enquanto o casal assistia.
A situação foi descoberta há duas semanas quando a menina contou à professora que tinha sexo com os pais e os irmãos. Os exames realizados revelaram que os meninos tinham ferimentos compatíveis com os abusos.
Marcadores: 18/05/2010, Fonte Correio da Manha - Actualidade
O presidente da República, Cavaco Silva, promulgou ontem a lei que permite o casamento entre homossexuais, apesar de não concordar com a legislação. A "dramática situação em que o País se encontra" levou o Chefe de Estado a tomar esta decisão e a anunciá-la aos portugueses para não se acentuarem "as divisões" e não desviar as atenções dos agentes políticos dos problemas que Portugal enfrenta.
'Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um', enalteceu o Chefe de Estado.
Numa declaração de sete minutos à Nação, Cavaco Silva apontou a união civil registada, que existe em países como a França e o Reino Unido, como a solução mais indicada. Esta versão foi, aliás, proposta pelos sociais-democratas no Parlamento durante a discussão do tema.
Segundo o Chefe de Estado, 'no mundo inteiro, só em sete países a união gay é designada por ‘casamento’'. 'Dos 27 Estados da União Europeia, são apenas quatro aqueles que o fazem', assinalou. Em seu entender, a legislação nestes países não é discriminatória e respeita a instituição do casamento entre homem e mulher. Cavaco destacou ainda o facto de não se poder apontar esses países como retrógrados e de visão civilizacional arcaica.
Como se verificou uma maioria de Esquerda em Fevereiro, durante a votação do diploma, o Presidente reconheceu que o seu veto político apenas teria como resultado a confirmação, no Parlamento, do documento tal e qual está elaborado. Por isso, Cavaco Silva argumentou que não deveria 'contribuir para arrastar inutilmente este debate'. Mas não deixou de criticar a ausência de vontade política para se alcançar um consenso partidário alargado 'sobre uma matéria de tão grande melindre'.
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